Profano: Piratas e Cthulhu

Primeira Etapa da viagem do Black Swan

Diário do Capitão Richard Adams

O Black Swan partiu de Port Royal com a mudança da maré, pouco depois do amanhecer. O navio leva quatro canhões. A tripulação é composta por mim, Richard Adams, pelo contramestre, o Sr. Logan e por 16 marujos. Além disso, o Black Swan leva cinco passageiros, que ocupam as duas pequenas cabines do barco, na popa. Os ventos estavam favoráveis e antes do entardecer já haviamos cruzado o cabo Morant e virado em direção ao canal de Barlavento.

No segundo dia de viagem, passamos próximos a Ilha de Tortuga. Esse era um momento perigoso, pois a Inglaterra está em guerra com a França. Os piratas franceses fazem de Tortuga sua base para saquear navios que atravessam o canal. Por sorte, o vento continuava favorável, permitindo que o navio fizesse uma boa velocidade enquanto passávamos ao largo de Tortuga. Durante a noite mandei que metade dos tripulantes mantivessem guarda. Nada aconteceu e o clima ficou mais tranquilo a medida que costeavámos a Ilha de Hispaniola.

Pude aproveitar os dias tranquilos que se seguiram para analisar meus passageiros. O Sr. Fernando de Sevilha, que contratou meus serviços para levá-lo a um local não determinado em troca de que partilharíamos de uma grande recompensa, me parece um homem inteligente e de boa conversa. Um jovem mouro de nome Pablo o acompanha, usando uma cimitarra. Ele tem me auxiliado na navegação. O terceiro viajante é um inglês chamado Michael Raven, que parece não se sentir muito a vontade no mar e parece um pouco taciturno. Os marujos disseram que ele tem uma marca nas costas, o que indica que era um criminoso condenado a forca.

Os outros são ainda mais estranhos companheiros de viagem. Um escocês gordo chamado McDonalds, que me disse ser um cozinheiro. Eu o coloquei para cozinhar para a tripulação, e realmente, sua comida parece ter agradado aos homens. O quinto passageiro é o mais estranho, o velho Benjamin, um maluco que passa metade do tempo bêbado. Eles trouxeram apenas um pequeno baú para bordo. Aparentemente estavam fugindo de alguma coisa.

Enquanto navegávamos próximos a Baía de Sanamá, avistamos um pequeno navio francês. Parecia um navio mercante, e com apenas dois canhões era uma presa fácil. A tripulação queria aproveitar para fazer um saque. Considerando que estamos em guerra com a França, informei aos meus passageiros do intuito de atacar o navio. O jovem Pablo ficou animado. O Sr. Fernando de Sevilha não gostou muito, mas não se ôpos.

Nos aproximamos e abrimos fogo para que o navio parasse. Nenhum dos tiros acertou o outro navio, que, agora podíamos ver, se chamava La Belle Poule. Preparamos então para abordar os franceses. O inglês Raven tentou convencer o capitão francês a se render, prometendo lhe deixar o navio e dez por cento da carga. Creio que o capitão pareceu prestes a aceitar, pois estava em menor número. Mas a uma sugestão do mouro, Raven exigiu também que os franceses entregassem todas as armas. O capitão francês se recusou e preferiu tentar a sorte nos enfrentando.

Devo dizer que o mouro, que parecia louco por uma luta, e o Sr. Fernando de Servilha são bons lutadores. E o criminosos inglês é valente. Eles avançaram contra o capitão do La Belle Poule, derrubando quatro dos marujos franceses. Até o cozinheiro escocês mostrou ser bom de briga, pulando a amurada e derrubando um francês que tinha quase o seu tamanho. Por fim, o capitão francês foi morto e o restante da tripulação do seu navio se rendeu. Raven ofereceu aos seis marujos sobreviventes a chance de se juntar a nossa tripulação. E assim ganhamos mais seis tripulantes: dois bretões e quatro franceses.

Ordenei que os dois canhões do La Belle Poule fossem trazidos para nosso barco. Com isso temos agora seis canhões. Além disso pegamos os mosquetes, pistolas e espadas, além da pólvora. De acordo com o Sr. Logan temos agora 35 mosquetes, 22 pistolas e munição mais do que suficiente. Além das armas dos viajantes.

O apresamento animou os homens, mas conversando com o Sr. Fernando de Sevilha e com Raven, chegamos a conclusão de que antes de partirmos para a última etapa da viagem, era melhor reabastecer o navio de água e mantimentos em Barbados, um porto inglês seguro, nas Pequenas Antilhas.

No décimo-segundo dia de viagem desde que partíramos de Port Royal chegamos a Bridgetown, a capital de Barbados.

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