Profano: Piratas e Cthulhu

Calmaria
A bordo do Black Swan

O combate naval havia deixado o Black Swan com severos danos no leme. O navio tinha dificuldade de navegar e não poderia voltar até Port Royal ou mesmo Barbados sem consertar o leme. O Sr. Logan avisou que precisavam parar em alguma praia onde pudessem carenar o navio e reparar o leme.

Uma análise do mapa mostrou que não poderiam ir para o continente, sob o domínio espanhol, nem para Granada, colônia francesa, com quem os ingleses estavam em guerra. Trinidad e Tobago estavam ambas sob domínio espanhol e além disso ficavam contra o vento.

Haviam algumas ilhas entre São Vicente e Granada que não eram controladas pelos europeus. Decidiram se dirigir para a ilha mais próxima, a ilha de Carriacou, onde o contramestre lembrava haver uma boa baía protegida onde poderiam consertar o barco.

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Durante o combate naval, Uri havia atendido o capitão Adams, que delirava e suava, falando palavras sem sentido. Ele sangrou o capitão e este pareceu se acalmar. Depois, Zeb percebeu que havia uma mal espírito ali. E colocou seu amuleto sobre o convalescente inglês.

A noite chegou, e com bons ventos, apesar do leme danificado, haviam conseguido se afastar da Ilha de La Matanza. Raven subiu para o mastro do navio e ficou admirando a imensidão do mar. Por um instante, ao olhar para os céus teve a impressão de que as estrelas estavam em uma posição errada. Mas logo, as nuvens cobriram o céu e quando este reapareceu, percebeu que fora apenas uma impressão.

De madrugada, Pablo acordou com um barulho vindo dos aposentos do capitão Robert Adams. Ele chamou o ex-escravo Zeb e juntos entraram no castelo de popa. Pablo abriu as portas do aposento apenas para ser surpreendido pelo capitão pulando sobre ele com uma faca. A faca atingiu o mouro, que caiu ao chão, gravemente ferido. Zeb ficou sem reação ao ver os olhos do capitão brilharem com o brilho de um mau loa.

Uri, que dormia no outro aposento, abriu a porta e viu o capitão sobre o corpo de Pablo. Seu olhar e a palidez da pele mostravam que fosse o que havia ali, restava apenas a loucura ou um demônio. Zeb se recuperando do susto, tentou empurrar o capitão Adams para longe do mouro, mas não conseguiu.

Nesse momento, Raven, que havia descido do mastro e corrido para o castelo de popa, gritou e atraiu a atenção do zumbi, que o perseguiu até o tombadilho. Ele conseguiu enrolar o pescoço do capitão com uma corda e iça-lo. O suficiente para que Uri o atingisse com suas facas e para que seja lá o que fosse que animava o corpo do capitão fosse finalmente detido.

Zeb achou uma imagem da divindade misteriosa dos ilhéus no aposento do capitão. Aparentemente, ele a havia encontrado quando descera na ilha. Todos ficaram impressionados com o que parecia ser mais uma das maldições da ilha de La Matanza, que os perseguira até ali. O corpo do capitão Adams foi atirado ao mar.

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Combate naval
A batalha com o Der Zwartpit

Ao longe, o Der Zwartpit – o navio negreiro holandês – fazia a curva de um dos promotórios da ilha de La Matanza tentando impedir a saída do Black Swan da linha de recifes que circulava a ilha caribenha.

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O contramestre, o Sr. Logan, avisou que o capitão Adams estava passando mal na cabine desde a noite anterior quando voltara da praia. Raven perguntou se o contramestre se considerava capaz de tirar o navio da Ilha de La Matanza. Logan disse que nunca comandara um navio.

Pablo de La Rocha, o Mouro, que havia demonstrado saber pilotar o navio na ida, foi o escolhido para comandar o Black Swan na ausência do capitão. A seu comando, o Black Swan levantou suas velas e aproveitando o vento favorável partiu da baía em que os botes haviam sido atacados pelos estranhos selvagens da ilha.

O navio holandês se dirigia a passagem entre os arrecifes, intentando bloquear o caminho do Black Swan, mas aproveitando o vento, o Black Swan tentou manobrar por trás do navio negreiro e atingí-lo com uma saravaida de balas. A manobra quase deu certo, mas no último instante o capitão do Der Zwartpit manobrou, evitando que o Black Swan posicionasse seus canhões por trás do seu navio.

Os tiros do Black Swan passaram ao largo do navio holandês. Esse manobrou e os dois navios ficaram lado a lado. O Der Zwartpit disparou seus oito canhões em uma saraivada. Dois dos tiros atingiram o Black Swan. Um deles varou o convés, matando instantaneamente um dos marujos e ferindo outros quatro. Outro dos disparos de canhão atingiu o leme, mas o capitão Mouro conseguiu, com dificuldade, manter o controle do barco.

Raven havia corrido para um dos canhões e ordenou aos piratas que atirassem com tudo contra o navio holandês. Dessa vez, dois dos tiros do Black Swan vararam o convés do navio negreiro com resultados devastadores. Quase duas dezenas dos marujos do barco holandês foram mortos ou derrubados. Por um momento o capitão do navio holandês perdeu o controle do barco.

Foi o suficiente para a tripulação do Black Swan recarregar seus canhões e fazer uma nova salva contra os holandeses. Um dos disparos atingiu o meio do navio, matando vários tripulantes, e iniciando um incêndio no compartimento de carga.

Pablo aproveitou a chance para se afastar com o Black Swan, deixando o navio negreiro holandês ardendo em chamas na baía.

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Fuga da Ilha de La Matanza
Em que os botes são atacados

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Ao chegarem a praia, carregaram os botes com parte do tesouro e dos marujos que estavam guardando a praia. Enquanto se aproximavam da praia para fazer uma segunda viagem, foram surpreendidos pelo surgimento, das águas de várias criaturas. Á luz da lua, as criaturas pareciam com uma estranha mistura de homens e peixes, com uma pele escamosa e de uma coloração esverdeada.

Zeb se desesperou e tentou levar o bote de volta para o navio. Ele percebia que havia algo influenciando a água, como se lançando os espíritos da água contra eles. Uma onda maior atingiu os dois botes. Zeb conseguiu controlar o bote onde estava, mas o outro bote quase virou.

Zeb começou a remar desesperadamente, de volta ao Black Swan. Savanah foi derrubado do barco e sumiu na água. Zeb conseguiu apontar a direção de onde uma estranha feiticeira parecia nadar e lançar os feitiços contra eles. Raven apontou e atirou contra a feiticeira e acertou-a na cabeça. Ela afundou e as águas pareceram se acalmar um pouco.

Enquanto isso, o outro bote chegara a praia e praguejando contra Zeb, que recuava no outro bote, Fernando de Sevilha ordenou que parte do tesouro e os três piratas restantes entrassem no bote.

Raven conseguiu convencer Zeb a voltar até a praia para ajudar os outros e pegar o que restava do tesouro. Quando chegaram na praia, mais criaturas surgiram das águas.

Eles começaram a remar de volta, mas ao tentar acertar uma das criaturas com sua cimitarra, Pablo se desequilibrou e caiu no mar. Os outros marujos também caíram. Por sorte a água ali ainda era rasa, mas Pablo quase se afogou por causa da pesada armadura que vestia. Jean Pierre consegiu puxá-lo e levá-lo de volta ao bote. Outro dos marujos do Black Swan, o maroon Cudjoe, foi puxado por uma das criaturas, enquanto eles tentavam remar de volta ao Black Swan.

No outro bote, Zeb foi ferido por uma das criaturas e desmaiou. Raven tentou assumir o remo, mas se atrapalhou e deixou que os remos escapassem. O barco agora estava sem remos. O outro bote já chegara até o Black Swan. Por sorte, Jean Pierre conseguiu pegar uma das armas e disparar contra a criatura que tentava subir no bote de Raven, derrubando-a. O inglês pegou uma corda e pulou no mar, nadando até o navio e sendo puxado pelos marujos.

Ao longe, o outro navio já podia ser visto. Raven gritou para que soltassem as âncoras e partissem. Olhando pela luneta, Pablo identificou o outro navio. Era o navio negreiro holandês, o Der Zwartpit – O Poço Negro.

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O Templo nas Cavernas
Em que enfrentam índios e zumbis

Com a informação dada pelo negro que haviam encontrado, Fernando e Raven resolveram dividir o grupo e explorar as duas entradas da caverna. Fernando, o cozinheiro, o francês e o recém-chegado Zeb, seguiriam pela entrada maior que Zeb havia descoberto mais cedo ao seguir os selvagens. Raven e Pablo seguiriam pela entrada marcada no mapa do Capitão Vennick.

Ao se aproximarem da caverna, perto do cair da noite, viram uma revoada de morcegos e ouviram um urro estranho. Alguns deles puderam ver uma criatura que a melhor descrição que poderiam fazer é que parecia um enorme e disforme morcego. Eles correram para dentro das cavernas.

Ambas as cavernas abriam, do outro lado, em um amplo salão, com uma abertura no teto que permitia ver o céu noturno. No centro desse salão, um sacerdote indígena entoava um cântico enquanto o marujo do Lady Fafen, Richard, estava amarrado a um altar de pedra. Uma dezena de selvagens dançava ao redor. O cântico assustou alguns deles, o som inumano penetrando em suas mentes. Os selvagens os viram e começou um combate. O sacerdote enfiou a faca no coração do prisioneiro.

O combate foi duro. Os selvagens atacaram com suas lanças. O sacerdote lançou um feitiço que levantou os cadáveres de Richard e de um dos indios que Fernando de Sevilha matou. Apesar disso, o grupo venceu os selvagens e os zumbis, mas o sacerdote fugiu por uma outra entrada.

Ao perseguir o sacerdote, Jean Pierre e Zeb encontraram o salão onde estavam guardados os tesouros. No salão havia uma estátua da divindade terrível dos índios. Pablo entrou em pânico e correu.

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Após encherem alguns báus com tesouro, encontrarem Pablo e levar parte do tesouro para o lado de fora, eles resolveram voltar e levar mais uma carga. Nesse momento, Fernando de Sevilha caiu em um poço que não parecia estar lá. Os outros não o encontraram, mas Zeb conseguiu seguir os espíritos e achar o caminho onde o espanhol caíra.

Dessa vez, resolveram levar tudo o que já haviam conseguido carregar e voltarem ao Black Swan. Ao longe, uma tempestade se aproximava. E Pablo viu um barco que também se aproximava da ilha.

No caminho de volta foram atacados por uma enorme serpente que agarrou Pablo e derrubou Zeb, machucando-o. Pablo conseguiu se libertar e com um golpe matar a serpente.

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O sobrevivente
Em que um náufrago se junta aos exploradores

A tempestade atingira o Lady Fanen com fúria, fazendo com que o barco naufragasse. Zeb e Jonas tentavam se agarrar a um pedaço do mastro. O mar revolto os atingia. Ao longe eles viam a silhueta de uma ilha, iluminada pelos trovões.

Jonas não conseguiu segurar no mastro e afundou. Quando Zeb tentou ajudá-lo, quase foi também arrastado ao fundo. Dando um chute desesperado no amigo que o segurava, Jeb conseguiu erguer novamente a cabeça acima da água e respirar, agarrado ao mastro.

Quando Zeb acordou, ele estava em uma praia. A tempestade passara e o dia amanhecera. A praia lembrava-lhe da Jamaica, onde havia nascido e fora um escravo antes de conseguir fugir para o interior e se juntar aos maroons das Montanhas Azuis. Mas ele sabia que estava bem longe de sua casa, ali naquela ilha que parecia deserta.

Ele andou pela praia e viu o corpo de outro dos marujos do navio. Não conseguiu reconhecê-lo, mas pelo menos pode pegar uma faca que estava presa no cinto do marujo.

Durante alguns dias ele sobreviveu, com frutas e peixes que conseguiu capturar. Foi quando ouviu os tambores. Seguindo o som dos tambores, chegou a uma aldeia. Escondido, viu quando um grupo de índios selvagens levava um dos marujos do Lady Fafen, Richard, o boatswain do navio, em direção a uma montanha.

Seguindo os selvagens, ele chegou até a entrada de uma caverna. A entrada era guardada pela estátua de dois espíritos malignos, como aqueles que a Rainha Nanny havia lhe falado que existiam em algumas das outras ilhas do Caribe, quando Zeb era uma criança na Jamaica.

Foi nesse momento que ele viu um barco se aproximando da ilha, em direção a uma pequena baía, ao norte da aldeia dos selvagens. Ele se dirigiu para aquela direção. Algumas horas depois, viu um grupo de quatro brancos que subiam o morro. Eles também o viram. Logo depois apareceu um outro branco que o cercou de cima.

Após explicar o que acontecera ao seu navio e o que havia visto, incluindo a entrada da caverna, um dos brancos, de nome Fernando de Sevilha, ofereceu para que ele se juntasse ao grupo, que se dirigia para outra entrada na montanha.

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Desembarque na Ilha de La Matanza
Diário do Capitão Richard Adams

Após manobrar o Black Swan até um ponto protegido na entrada de uma pequena baía da Ilha de La Matanza, ordenei o desembarque. Deixei o Sr. Logan como responsável pelo navio. O bêbado Benjamin disse que estava muito velho para pisar de novo na ilha e preferiu ficar no navio. Ele parecia ter mudado de comportamento, como se a bebedeira não pudesse mais esconder o medo de voltar a Ilha de La Matanza.

Usamos os dois botes do Black Swan para nos dirigir até a faixa de areia da praia. Cada um dos botes é capaz de transportar meia dúzia de homens. No caminho, alguns dos homems disseram ter escutado o barulho de tambores dos selvagens à distância, embora eu mesmo não tenha ouvido nada além do barulho das ondas se quebrando nas pedras. Desembarcamos e escondemos os botes na vegetação que avança até a beira da praia.

O Sr. Fernando de Sevilha, seu guarda-costas mouro e o bandido Raven se ofereceram para seguir o mapa desenhado no diário do Capitão Vennick. Estranhamente, o cozinheiro, que insistira em desembarcar, resolveu seguir com eles também. Disse para que eles levassem um dos marujos e eles resolveram levar um dos franceses que haviam se juntado ao grupo após o saque do La Belle Poule.

Após a partida dos cincos membros do grupo exploratório, ordenei que os homens recolhessem água potável do pequeno rio que desaguava na baía e que Próspero a levasse de volta ao navio e dissesse ao Sr. Logan para mandar mais cinco marujos para reforçar a guarda. Se havia mesmo índios canibais, como dizia a história do velho Benjamin, então era melhor procurar um lugar mais protegido para ficar do que na praia.

Na entrada da baía, havia uma pequena ilha com algumas árvores que mesmo na maré baixa ficava um pouco afastada do morro. Enquanto mandava que Robb e Jonh Overton fizessem a guarda, ordenei aos outros que cortassem algumas árvores da beira da praia e fizessem uma pequena paliçada na ilha que nos protegesse em caso de ataque. Os homens não gostaram muito, mas logo depois do meio da tarde, escutamos um tiro à distância. Isso pareceu animá-los a trabalhar mais rapidamente para preparar uma defesa contra possíveis selvagens.

Ao anoitecer, os homens já haviam posto em pé a pequena paliçada na ilha. Mandei que os botes fossem levados para a pequena ilha e para que Zebediah servisse uma comida e um copo de rum para cada um dos marujos, mas que sempre três homens estivessem de guarda.

Enquanto comia a ração e escrevia o diário tentando ignorar o barulho dos marujos, me perguntava o que havia acontecido com os quatro passageiros e o francês.

Foi então que ao longe na montanha, vimos uma revoada de morcegos e um barulho enorme e monstruoso ressoou no ar.

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Chegada a Isla de La Matanza
Diário do Capitão Richard Adams

Ficamos uma noite em Barbados. Tempo suficiente para reabastecer o barco, vender a carga apresada do navio francês a um dos comerciantes locais, e para a tripulação relaxar. Enquanto planejavámos o último trecho da viagem. Em um bar o Sr. Fernando de Sevilha me mostrou o mapa que era de propriedade do velho Benjamin e um diário que pertencera ao pirata Jonathan Vennick. Ele mostrava um caminho para uma ilha marcada no mapa. De acordo com o velho Benjamin a ilha tinha um enorme tesouro que deixaria a todos ricos como se tivessem saqueado um galeão do tesouro espanhol.

Partimos ao amanhecer. O velho Benjamin estava cada vez mais animado e bêbado. Contando para toda a tripulação as histórias do Capitão Vennick e do tesouro da Isla de La Matanza. A ilha tinha esse nome pois os primeiros nativos que os espanhóis encontraram ao chegar nas ilhas do caribe falavam de uma raça de canibais que habitava uma ilha e sequestrava mulheres e crianças para sacrificá-las aos seus deuses profanos. Os indios chamavam essas ilha de Ilha da Matança ou Ilha da Morte. E assim, os espanhóis a denominaram Isla de La Matanza ou Isla de La Muerte. Alguns exploradores espanhóis procuraram pela ilha, mas nunca a encontraram. Com a descoberta de ouro no México, a história da ilha foi esquecida. Até que Drake a teria encontrado em sua viagem, após ouvir relatos de um naufrágo. Ele a teria marcado em um mapa, mas este se perdeu. Até entrar em posse do Capitão Vennick.

As conversas sobre os selvagens canibais e enormes monstros marinhos que atacaram o barco do Capitão Vennick assustaram alguns dos homens, mas não o suficiente para vencer a cobiça.

Após dois dias contornamos a Ilha de Granada e nos aproximamos da costa do continente. A ilha ficava em um trecho próximo a Isla Blanquila. Na noite do terceiro dia, com os ventos favoráveis para nós, avistamos as duas pedras que marcavam no mapa o caminho segura para a ilha entre os bancos de corais externos da ilha. Era uma noite de lua cheia e próximo ao amanhecer, o barco entrou em um nevoeiro.

Por sorte, Raven estava no mastro e avistou os recifes que formavam a linha interna de corais. Ele gritou, apontando a passagem. Com a ajuda do Mouro, consegui manobrar o barco na estreita passagem. O nevoeiro pareceu se abrir e descortinamos a Isla de La Matanza.

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Primeira Etapa da viagem do Black Swan
Diário do Capitão Richard Adams

O Black Swan partiu de Port Royal com a mudança da maré, pouco depois do amanhecer. O navio leva quatro canhões. A tripulação é composta por mim, Richard Adams, pelo contramestre, o Sr. Logan e por 16 marujos. Além disso, o Black Swan leva cinco passageiros, que ocupam as duas pequenas cabines do barco, na popa. Os ventos estavam favoráveis e antes do entardecer já haviamos cruzado o cabo Morant e virado em direção ao canal de Barlavento.

No segundo dia de viagem, passamos próximos a Ilha de Tortuga. Esse era um momento perigoso, pois a Inglaterra está em guerra com a França. Os piratas franceses fazem de Tortuga sua base para saquear navios que atravessam o canal. Por sorte, o vento continuava favorável, permitindo que o navio fizesse uma boa velocidade enquanto passávamos ao largo de Tortuga. Durante a noite mandei que metade dos tripulantes mantivessem guarda. Nada aconteceu e o clima ficou mais tranquilo a medida que costeavámos a Ilha de Hispaniola.

Pude aproveitar os dias tranquilos que se seguiram para analisar meus passageiros. O Sr. Fernando de Sevilha, que contratou meus serviços para levá-lo a um local não determinado em troca de que partilharíamos de uma grande recompensa, me parece um homem inteligente e de boa conversa. Um jovem mouro de nome Pablo o acompanha, usando uma cimitarra. Ele tem me auxiliado na navegação. O terceiro viajante é um inglês chamado Michael Raven, que parece não se sentir muito a vontade no mar e parece um pouco taciturno. Os marujos disseram que ele tem uma marca nas costas, o que indica que era um criminoso condenado a forca.

Os outros são ainda mais estranhos companheiros de viagem. Um escocês gordo chamado McDonalds, que me disse ser um cozinheiro. Eu o coloquei para cozinhar para a tripulação, e realmente, sua comida parece ter agradado aos homens. O quinto passageiro é o mais estranho, o velho Benjamin, um maluco que passa metade do tempo bêbado. Eles trouxeram apenas um pequeno baú para bordo. Aparentemente estavam fugindo de alguma coisa.

Enquanto navegávamos próximos a Baía de Sanamá, avistamos um pequeno navio francês. Parecia um navio mercante, e com apenas dois canhões era uma presa fácil. A tripulação queria aproveitar para fazer um saque. Considerando que estamos em guerra com a França, informei aos meus passageiros do intuito de atacar o navio. O jovem Pablo ficou animado. O Sr. Fernando de Sevilha não gostou muito, mas não se ôpos.

Nos aproximamos e abrimos fogo para que o navio parasse. Nenhum dos tiros acertou o outro navio, que, agora podíamos ver, se chamava La Belle Poule. Preparamos então para abordar os franceses. O inglês Raven tentou convencer o capitão francês a se render, prometendo lhe deixar o navio e dez por cento da carga. Creio que o capitão pareceu prestes a aceitar, pois estava em menor número. Mas a uma sugestão do mouro, Raven exigiu também que os franceses entregassem todas as armas. O capitão francês se recusou e preferiu tentar a sorte nos enfrentando.

Devo dizer que o mouro, que parecia louco por uma luta, e o Sr. Fernando de Servilha são bons lutadores. E o criminosos inglês é valente. Eles avançaram contra o capitão do La Belle Poule, derrubando quatro dos marujos franceses. Até o cozinheiro escocês mostrou ser bom de briga, pulando a amurada e derrubando um francês que tinha quase o seu tamanho. Por fim, o capitão francês foi morto e o restante da tripulação do seu navio se rendeu. Raven ofereceu aos seis marujos sobreviventes a chance de se juntar a nossa tripulação. E assim ganhamos mais seis tripulantes: dois bretões e quatro franceses.

Ordenei que os dois canhões do La Belle Poule fossem trazidos para nosso barco. Com isso temos agora seis canhões. Além disso pegamos os mosquetes, pistolas e espadas, além da pólvora. De acordo com o Sr. Logan temos agora 35 mosquetes, 22 pistolas e munição mais do que suficiente. Além das armas dos viajantes.

O apresamento animou os homens, mas conversando com o Sr. Fernando de Sevilha e com Raven, chegamos a conclusão de que antes de partirmos para a última etapa da viagem, era melhor reabastecer o navio de água e mantimentos em Barbados, um porto inglês seguro, nas Pequenas Antilhas.

No décimo-segundo dia de viagem desde que partíramos de Port Royal chegamos a Bridgetown, a capital de Barbados.

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Parte II - A Viagem do Black Swan

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O Black Swan era um cutter ou sloop de 1 mastro, com 4 canhões. Um navio bom para navegar no mar do Caribe, com um calado baixo que permitia que ele se aproximasse da praia e com velas capazes de aproveitar o vento.

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